JARDIM DA BOA VISTA (JMS) (Rio House, Olson Kundig)

 

Texto: Isabel Duprat

 

O Parque Nacional da Tijuca e as belas miradas para a praia da barra e para montanhas de pedra são os protagonistas deste projeto.

 

Havia duas construções no terreno, a casa principal apertada na encosta e que seria demolida para dar lugar a nova construção e um anexo que seria reformado.

 

O projeto de paisagismo teria que dar unidade ao conjunto de duas arquiteturas distintas. Um dos grandes enigmas do paisagismo é como lidar com isto posto, com delicadeza.

 

Foi uma grata experiência conhecer Tom Kundig, arquiteto de Seattle, que projeta casas /cabanas feitas para viver com muito conforto com o essencial e sobretudo para vivenciar a natureza do entorno, que muito mais que a arquitetura é eleita a rainha da festa. Imagino que ele pense assim, é o que o seu trabalho comunica.

 

As possibilidades de implantação da cabana no platô existente da antiga casa, algo estreito entre a encosta vegetada e o desnível do acesso de automóveis existente, não eram muitas e por isso mesmo teria que ser precisa a angulação para usufruir das duas vistas importantes.

 

Juntos em visita ao local acertamos um meio termo bastante bom das opções que tínhamos. A casa se soltou da encosta contida por muros de pedra que foram preservados e se abriu para a paisagem.

 

Eu não queria que as duas construções fossem vistas ao mesmo tempo. Seria um excesso naquela área do platô, que embora bastante extensa, não tem grandes dimensões. Fiz então que a mata escorregasse entre elas, plantando árvores nativas que amalgamassem com a mata existente.

 

Quis fazer singelo o jardim para receber a casa, como deveria ser, (mostrar a foto das sementes no desenho – foto está no making of do projeto) e desenhei curvas suaves com capins de cores diferentes, cujo desenho veio de umas sementes que coleciono e joguei sobre a mesa, que se esparramaram para o outro lado que continha um gramado pontuado por um pau ferro monumental, e que quis mantê-lo como tal.  Penso que um gramado para existir tem que ter uma escala adequada ao lugar. Em frente à cabana, seria apenas uma terra com um pouco de grama.

 

Atrás da casa aproveitei os muros de pedra e os vazios protegidos pela sombra para colecionar plantas subindo e caindo, se acomodando entre as frestas e  brotando em pontos coloridos, como fazem as begônias, ruellias, medinillas, acanthus, ou fazendo verdes e texturas como as samambaias e aglaonemas.

 

A decisão da localização da piscina, que tinha o propósito primeiro de servir à natação, foi objeto de inúmeros estudos, sobretudo em função dos intrincados desníveis por onde se acomodava a piscina anterior. Existia ali uma grande área a ser aproveitada como jardim, mas não na configuração existente. Conquistar toda esta área do terreno e integrá-la ao uso diário da casa não era trivial, e este foi um grande tento do projeto de paisagismo.

 

A princípio a piscina existente de forma orgânica facetada à anos 60, parecia interessante, mas havia algo errado com as proporções. Como adaptar isto a uma piscina ideal para nadar, não estava fazendo sentido, assim que esgotadas as tentativas me dei a liberdade avalizada pelo cliente de avançar em novas possibilidades.

 

A piscina tomou então sua autonomia e se estendeu sobre o limite do gramado, fazendo a linha do horizonte, aproveitando a contenção já existente de um muro de pedra. Os antigos níveis existentes foram alterados de forma à circulação ficar mais agradável e os espaços mais integrados, inclusive visualmente. Muros de 1,50 m de altura contiveram o deck da piscina e pequenos pátios jardins acessados por escadas suaves os acomodaram entre contenções de concreto. Elegi o concreto como material tanto da caixa da piscina como dos muros para trazer alguma referência da arquitetura de Kundig para esta área do jardim que estava mais afastada da casa principal, mas de onde era visível. As escadas, deck e circulação receberam o basalto que tão bem mimetiza com o concreto.

 

Árvores e arbustos de flor, capins, filodendros, alocasia, pandanus, norantea, foram se esparrando aqui e ali, onde pudessem se esparramar e amenizar visualmente os desníveis.

 

Desta forma a linha de água no plano do gramado pode ser observada da casa, ao mesmo tempo que do anexo.

 

Desenhei no gramado uma pequena pérgola metálica com a estrutura mais simples que poderia ser, para no futuro servir ao espetáculo da floração azul turquesa da trepadeira jade.

 

(Tratei as outras áreas do terreno de forma a recompor a vegetação arbórea bastante falha, em alguns setores, e desenhei caminhos com pedras da antiga construção e bancos com as lajes maiores para que estas áreas pudessem ser

percorridas e usufruídas. ) à colocar junta à foto correspondente, como comentário da foto.

 

Rio de Janeiro

 

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