JARDIM DA CASA ASA

Texto: Isabel Duprat

Fotos: Fernando Guerra

(texto incompleto)

A paisagem de Rugendas, com todos os seus detalhes pictóricos, estava lá nos brindando na minha primeira visita ao terreno. Estando no Rio de Janeiro e, de repente, olhando para um lado e outro, nos comovemos com uma vista ao Corcovado ou ao Morro Dois Irmãos, tudo isto do mesmo pedaço de terra. 

 

Este envoltório de mata urbana subindo morro acima e que tanto nos fascina me sugeria que, para reverenciarmos esta natureza pujante, precisávamos de uma distância, um vazio do tamanho do nosso olhar. 

 

Aproveitando a área com pouca vegetação neste ponto onde estava a antiga construção que seria demolida, assim como a via de acesso de automóvel a partir da casa projetada por Thiago Bernardes, estabeleci um primeiro platô no nível da casa com x m2  e a 60cm vencidos por degraus sinuosos de grama, e um outro platô um pouco maior que encontra a cota das árvores existentes, que vão se encaminhando através de um gramado para a borda da mata. Ao percorrer este vazio sentimos a presença e a força de um enorme paredão de árvores escalando a encosta.  É uma vivência inesquecível!  

 

Neste contexto reloquei a piscina, que no projeto de arquitetura estava prevista na mesma face do espelho d’água, para o lado oposto por várias razões, entre elas o fato da insolação ser melhor e ter a piscina ao pé da encosta em solo natural, o que me possibilitou trabalhar a vegetação permeando as árvores com folhagens coloridas, tons e matizes de verde, palmeiras, samambaias e filodendros, como uma pintura viva se emaranhando na mata nativa que vai sendo percebida enquanto se desfruta a água.   

 

Para fazer o acesso do automóvel junto à casa usei o paralelepípedo, brincando com as formas da arquitetura e percorrendo os caminhos através da mata. Criei três pátios como tapetes de pedra para diferentes situações de estar, um junto ao espelho d’água com canteiros entremeando os pisos, para receber as samaneas, usufruir o espelho d’água, o outro na piscina