JARDIM BOTÂNICO

Texto: Isabel Duprat

Fotos: Roberto Linsker, Ismar de Almeida e Manoel Leão

  

Este era um lugar que sempre despertou minha  curiosidade durante as caminhadas pelo bairro na minha infância e adolescência. Este grande terreno vazio em pleno Jardim Europa com uma caixa d'água no meio e muitas árvores e ainda pergunta: o que será que vai ser ali? Evidentemente não eram estes novos tempos de casa que desaparecem e ressurgem da noite para o dia, para o bem ou para o mal, assim que um terreno permanecia vazio por décadas.

Por incrível coincidência, muitos anos depois coube a mim decidir o que fazer ali.

 

O começo de tudo foi o pedido de um cliente morador do Rio de Janeiro que comprou uma casa em São Paulo para ir e vir por necessidade de trabalho. A casa grande para o terreno era uma massa recém construída entre maneirismos neoclássicos e o nada, culminando com uma tentativa de um jardim à moda francesa. Eles não gostavam, mas a localização agradava e, encontrando a casa  em ótimas condições, não fazia sentido demoli-la. A vegetação seria a solução para mudar a ambiência, e sobretudo fazer com que se sentissem bem na cidade.

Assim que eliminados todos os trejeitos datados do jardim, deixei a vegetação exuberante tomar conta dos muros de divisa, das paredes e invadir a borda da piscina. Árvores substituíram os ciprestes ensinados, como diria o querido arquiteto Jorge Hue, se juntando às copas das árvores do terreno vizinho.

Deu certo!  O ambiente ficou mais ameno e viver nele muito mais agradável.

Dois anos depois, a compra do terreno vizinho para ampliação do jardim, aquele terreno que povoava  meu imaginário, me deu a chance de trabalhar ali.

Para minha surpresa as árvores existentes não eram tantas: goiabeiras, alguns fícus, uma Santa Bárbara, grumixamas, as árvores mais bonitas do terreno, uma jaqueira e uma mangueira. Pensei então fazer um Jardim Botânico, um lugar que guardasse árvores tão especiais como as que sonhava que habitavam este lugar. Colecionamos exemplares já maduros com alturas entre 7 e 12 metros, como pau-brasil, cedro, canafistula, guarantã, erytrina verna, sapucaia, triplaris, pau ferro, paus mulatos, mongubas, ingás, jatobá, ipê roxo, rosa e amarelo. Um passeio de pedras percorre estes exemplares valiosos das nossas matas, verdadeiros monumentos vivos. Este  percurso pelas árvores traz de passagem inúmeras texturas, formas e cores de folhagens e arbustos, como begônias, crinun, alocasias, xantosoma, Calateas, medinillas, samambaias, filodendrons, esparramados em grandes tapetes pelo chão, fazendo a integração com o antigo jardim. A casa, depois de uma grande reforma, se abriu para a nova área através de um pátio de granito rosado que desenhei, incorporando alguns fícus benjamim existentes.

Hoje, quando passo pela rua em que habita este jardim, me encho de alegria ao ver estas belas copas acima do muro, guardadas respeitosamente  como num jardim botânico.