JARDIM DAS SIBIPIRUNAS
Texto: Isabel Duprat
Fotos: Ismar de Almeida e Leonardo Finotti

A grande beleza deste terreno em São Paulo, que se abre para uma esquina, e a razão de sua escolha são quatro sibipirunas magníficas já com seus 80 anos ou mais, espalhando energia sob as suas copas rendilhadas. O projeto da casa de Jacobsen Arquitetura previa uma pérgola apoiada no muro frontal contendo uma destas árvores.

 

Meu primeiro movimento foi libertá-la de forma que a beleza de seu tronco e sua copa se oferecesse para o jardim.  O projeto de paisagismo muitas vezes é uma contribuição primordial ao projeto de arquitetura. O olhar do paisagista tem como referência de escala o céu, e a árvore é o elemento que faz esta ligação.

 

Se as árvores são a riqueza do terreno tudo deve ser pensado para protegê-las. A piscina quadrada anteriormente proposta, estava muito próxima a uma magnólia (Magnolia grandiflora), que seria também preservada e para isto suas raízes deveriam ser protegidas com um afastamento de qualquer intervenção. Esta proteção das árvores, para ser efetiva, deve respeitar a altura de terra do colo da árvore, que é o ponto de partida das raízes do tronco. Como a casa ficou na sua implantação acima do terreno original e o deck da piscina aproximadamente 60 cm acima da cota do colo das árvores, foi necessário o acerto do terreno com um caimento que preservasse esta cota. Ainda que fossem 10, 20 ou 30 cm o colo tem que ser preservado, não pode haver o soterramento. É muito comum este requisito não ser observado e vermos árvores importantes morrerem após um ou dois anos por soterramento do colo.

 

Pensei a piscina como recorte verde escuro em um pátio de travertino, continuando o piso do terraço das salas com vista para o jardim. Esta posição da piscina, agora com uma forma retangular mais alongada e o seu deslocamento para a face sul do terreno, possibilitou uma área maior de jardim à esquerda, que desta forma recebeu com dignidade uma obra do escultor uruguaio Pablo Atchugarry e ao mesmo tempo garantiu o espaço para fazer o fechamento necessário e dar privacidade ao viver da casa, além de profundidade ao terreno. Fizemos este fechamento com Pinangas coronata,  Ptychosperma macarthurii e Strelitzia augusta de  aproximadamente 7 metros de altura.  Um caminho de basalto que garantiu acessibilidade confortável ao terraço é ao mesmo tempo um passeio pelo jardim, oferecendo a possibilidade de desfrutar a casa e o próprio jardim de um outro ângulo.

 

 

Quando durante a obra foi anexado um outro terreno na face noroeste do lote, criamos sob uma pérgola um jardim com palmeiras Ptychosperma elegans forrado com samambaias, sobrálias e filodendros. A copa das palmeiras minimiza a vista do vizinho a partir dos quartos do andar superior da casa e este jardim mostrou vocação para receber orquídeas. Junto à sala de ginástica e sauna, plantamos um pequeno pomar com caqui, limão, pêssego, romã e um horta com temperos e ervas.